segunda-feira, 19 de junho de 2017

Semaninha boa.

 Pois é na segunda dia dos namorados, eu muito brava,como perceberam, de bico, fui dormir sem nem falar direito com o marido.
 Terça ele me apareceu com um lindo buquê de rosas vermelhas, minha preferidas, sei que é uma coisa tão besta, mas fiquei tão feliz. Tão fácil agradar nós né migues. Além das rosas passamos uma boa semana, com muito amore alegria.




 Teve um feriado na quinta e como não temos grana para nada, mas isso vocês estão cansadas de saber, rs, marquei com algumas amigas mães da escola da minha filha de virem em casa na sexta, afinal as crianças não tem aula.Temos feito muito isso, a dona da casa dá a casa, cada mãe traz seu vinho, fiz um risoto de beterraba para as mulheres e um espaguete com molho de tomate para as crianças. Fora pipocas, milho, etc... Acabei pegando o salão de festas do prédio por ter mais espaço, acabando era seis horas da tarde e estava legal, as mulheres ligaram para seus maridos, cada um trouxe sua cerveja, pediram uma pizza e foi uma festa super gostosa.                                                     
 Ruim só que nossa filha está muito doentinha, sábado tivemos que levá-la ao ps, está com laringite aguda. Nessas horas eu vejo que reclamo demais, pois temos um bom plano de saúde e isso é essencial na vida. 
 Fiquei com muita pena do meu marido, pois a médica prescreveu os remédios e nos mandou comprar um nebulizador que custa R$200,00 e não tínhamos esse dinheiro, ele ficou muito triste, começou a chorar, pois isso mexeu de verdade com ele, é complicado, você ver seu filho doente e não ter para comprar o remédio, é algo que nunca imaginamos que aconteceria. Dói mesmo, corta o coração. No final ele pediu emprestado para a mãe dele e deu tudo certo, mas é doído, muito.
 Foi um final de semana punk, passei a noite de plantão no quarto da minha filha, cheguei a dormir no chão ao lado dela, pois ela não parava de tossir, hoje ele levantou com ela e fiquei descansando para compensar. Mas estou quebrada, dormi 3, 4 horas e o sono do dia não é o mesmo da noite, enfim, nem ligo já que não durmo normalmente, minha insônia nunca foi tão terrível.
 Estamos assim justamente porque tenho uma casa muito legal para morar, isso vai passar, vamos quitar o apartamento e parar de pagar o financiamento, nisso nossa vida muda.
 Tenho que guardar dinheiro, mas não temos nem para as contas direito, como guarda? Sei que coloquei uma meta, faz tempo na verdade e até hoje não consegui, guardar ao menos R$100,00 esse mês e não mexer nele até o próximo pagamento. Um lindo dia para economizar, tenho que conseguir, preciso aprender a guardar dinheiro. R$100,00 que eu guardar não fará diferença alguma no orçamento, mas lá na frente fará.
 Meus objetivos para esse ano são pagar a escola da minha filha à vista, em dezembro, pagar o ano letivo todo de uma vez para me livrar do boleto mensal e ainda economizo uma mensalidade que é o desconto que dão. Com essa mensalidade posso comprar o material escolar e os livros. Uma boa né?
 Fora que quero fazer um aniversário massa para ela, quero sim, tenho direito de sonhar, mas para isso preciso guardar esse valor e fazer tudo na tranquilidade sem choro.
 Esse ano cozinhei tudo sozinha, fiquei doente, cansada, não aproveitei a festa dela, de novo e todas minhas amigas tiveram que ajudar. Não quero mais. Quero contratar ajuda, preciso.
 Fora minha casa, está do mesmo jeito ainda, quero fazer o banheiro, colocar móveis, cansei de ficar acampada aqui, já vão fazer 3 anos que estou aqui. 
 Não sei direito como vou fazer nada, não tenho de onde tirar, mas dizem que o pensamento atrai e vocês sabem do tamanho da minha fé.
 Voltei a ler e voltei para cá porque agora vou fazer o diário de como paguei as contas que atrasaram por conta do financiamento.
 Depois conto para vocês direito, mas estou doente, não durmo, meu cabelo cai, de tão estressada que estou, sei que escrever como foi o dia acalma e me dá um pouco mais de clareza e vamos juntas ver como vou resolver tudo isso. Fora que fui parar no hospital outro dia com urticárias, foi por causa do glúten, mas tem a ver com meu estado emocional também, não paro de coçar.
  Descobri o que quero ser quando crescer, quero fazer aqueles cursos de arte e moda e meu dinheiro ainda não deu, mas vai dar. Vou conseguir. Precisamos sair desse enrosco, não tem como viver assim.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Dia dos namorados.

 É dia dos namorados,marido saiu cedo para trabalhar, levanto,café da manhã para a filhota, prepara lancheira, arruma roupa, chama 965 vezes para se trocar,para ir logo, colocar o tênis. Ela não me obedece, é terrível,não consigo fazer ela me obedecer.
 Descemos no prédio, coloco no carro, levo para a escola, volto para casa para comer, até teria coisas para resolver na rua, mas não tenho dinheiro para almoçar fora. Nosso pagamento vem, paga as contas que dá para pagar, faz uma compra no mercado e o resto do mês passo sem um puto. Enquanto estiver pagando esse financiamento o dinheiro não vai dar.
 Chego em casa, refogo uma carne moída, descongelo um arroz integral e um purê de batatas com molho de beterraba. Bato um suco de melancia com uma fatia de gengibre para desintoxicar o tanto de vinho de quinta que tomei no final de semana. Não,não deixo de tomar meu vinho no final de semana, mas não pago mais de 15 reais numa garrafa, descobri que dá para comprar nesses Atacadões um vinho razoável de beber com preço honesto.
 Tiro roupa da máquina, estendo, coloco mais roupa nela,lavo a louça, limpo o fogão, pego roupa do closet, já são 15:15 e eu ainda não comi nada, de manhã estava enjoada e atrasada e só tomei café preto.
 Faço meu prato, coloco um filme no now "Como eu era antes de você, como assistindo o filme, exagero na porção,mas estava em jejum, então... Depois de comer aquela preguiça mega blaster, estou exausta do final de semana,onde fico mais cansada que durante a semana, marido e filho dentro de casa o final de semana todo é de enlouquecer qualquer um.
 Mãe, amor, maaaaaaaaae, amooooor, maeeeeeeeeeeeee, amor, mainnnnnnnnnnnnnnnnnnn, amorrrrrrrrrrrrrrrrrrrr, esse final de semana ela estava particularmente agitada, parecia que tinha engolido um rádio.
 Estou azeda pois já sei que meu marido não vai se dar ao trabalho de me dar uma rosa murcha, o que realmente aconteceu. Resmungo com as amigas via whats, me lembram que amanhã tem yoga, já me ajuda a recuperar o humor.
 Já são seis horas e preciso buscar minha filha, a professora do ballet reclama que ela estava terrível e não obedece, tudo tem que falar mais de 15 veze,falei, sério que só hoje, comigo é sempre assim, vou conversar com ela.
 Chego em casa, todas as amigas dizendo o que vão preparar, não vou fazer porra nenhuma, muito desaforo, já tenho que fazer café da manhã, almoço e janta todo santo dia, todo, inclusive sábados, domingos e feriados. Como o que tem como numa segunda normal.
 Banho na filhota, ela quer comer bisnagas, eu estou sem apetite e azeda. Marido chega com as mãos abanando, óbvio e perguntando o que tem para comer. Mandei esquentar a carne moída que fiz para o almoço.
 Fui tomar banho porque eu também preciso de banho, filha fica fazendo show de marionetes enquanto tomo banho, mãe,olha para mim, mãe,olha, olha mãe,mãe, olha, olha. Legal filha, mamãe está tomando banho, posso? Ah, olha mãe, a sereia voando, olha o "hitotótamo", olha, olha, olha olha. O pai está muito cansado porque chegou do trabalho e não pode entretê-la por cinco minutos para eu tomar um banho sossegada.
 Coloco ela na cama, antes a conversa sobre o ballet, se quer continuar ou não, se não quiser não tem problema, mas ela quer ser bailarina para sempre, então tem que obedecer, pois eu sou sua mãe,mas a professora não tem obrigação de aguentar desobediência, isso que o ballet dela é bem brincante, para kids mesmo, nada carrasco.
 Ela dorme, estou puta da cara porque nunca imaginei na vida que minha vida seria isso, finais de semana trancada em casa, sem dinheiro para nada, comendo o básico do básico, sobrevivendo. Foi uma escolha que fiz, mas está doendo muito viver com ela. Vai passando os finais de semana e eu sinto que estou perdendo a vida,que ela está passando e eu não estou aproveitando. Estou pagando mas contas, uma boa escola, um bom apartamento, mas quando começo a viver de verdade? Minha casa ainda está do jeito que peguei, não fiz marcenaria sob medida, não reformei, pintei nem nada, cortinas feias e velhas, cama velha, tudo com dificuldade.
 Estou azeda, queria uma noite romântica mesmo que fosse em casa, mas cansada de ter que providenciar tudo sozinha, esperando um mínimo gesto de que se importa.
 Ah te amo, você é minha vida, o mesmo discurso sempre, sei, mas queria um pouco de atitude, li muita Jane Austen e ainda acredito em romantismo e cavalheirismo, mas não escolhi alguém assim, tenho que aceitar que dói menos.
 Estou eu aqui escrevendo e ele na sala vendo NBA, me rodeando, mas sei lá, preciso de romance, sou tão besta, porque querer isso. Fácil, ele  casou comigo, construímos uma família, temos uma casa, pra que romantismo não é mesmo? Estou querendo demais.
 Estou sendo irônica, mas é assim que vai ser ou eu aceito que é assim e quando eu estiver afim eu faço às vezes do cavalheiro ou vou continuar passando ano após ano, data após data decepcionada.
 É tudo comercial, uma palhaçada, data para incentivar o comércio? Pode ser, mas custa um pouco de romantismo?

domingo, 22 de janeiro de 2017

A situação está tensa.

 Pois é migues, um ano se passou, muita coisa aconteceu, prestação de apartamento, condomínio mais alto, água, luz, iptu (éramos isentos no último apartamento) também. Filha na escola que implica mensalidade, combustível, Ipva, seguro de carro, estacionamento, as contas subiram muito e o salário quase não aumentou.
 No começo do ano decidimos que eu ficaria com o carro, pois moramos próximo ao trabalho do meu marido. Algumas vezes o levei,outras ele foi andando pois é muito perto e às vez que ele viajou foi com o carro que a empresa fornece. É muito complicado levar uma criança à escola de transporte público. Não sei como tantas mães conseguem, é muito sofrido ter que usar o transporte público todos os dias para trabalhar / estudar / levar um filho ou filhos à escola, são grandes guerreiras. Pode mandar de Topic, eu não tenho coragem de mandar minha filha de Topic para a escola. Tudo bem quando se é obrigatório, necessário, a mãe não tem outra opção, mas eu agora nesse momento, não consigo, então prefiro levar e buscar. Quando decidi parar de trabalhar para cuidar da minha filha, sempre foi para isso, quero acompanhar tudo,inclusive o levar e buscar que eu acho uma delícia, realmente gosto e quero isso, eu quero fazer isso, pois me lembro quando eu era pequena que eu via outros pais e mães levando os filhos na escola, buscando,participando. Eu olhava e sonhava com aquilo, eu queria que meus pais tivessem participado mais, mas não tive isso. Eu quero fazer isso pela minha filha. Vou em tudo, reuniões, tomo café com as outras mães, apresentações, converso com a professora, acompanho para ver se está tudo bem. Isso é muito prazeroso para mim e me sinto feliz.
 Feliz,essa é uma palavra que não falo faz tempo, ando me sentindo bem infeliz, só reclamo, resmungo o dia todo, tudo está sendo um peso, me sinto cansada o tempo todo, tenho insônia, meu cabelo está caindo muito, não faço a unha, sobrancelha faz tempo.
 Estou me perguntando do porque estou tão infeliz, unhas, cabelo e sobrancelha exigem dinheiro e é algo que está faltando no momento, o resto é consequência da falta de dinheiro.
 Algo que estava me deixando infeliz é o fato de que estamos muito,mas muito duros, numa fase de que está faltando,não chegamos ao fim de mês,contas estão atrasando,foi um ano bem complicado e começamos ele sem um único real na conta. Não pude comprar meus espumantes para o reveillon, não viajamos, não pudemos sair, passear, fazer nada.
 Nada não porque vocês sabem, eu sempre dou um jeito. Fiz inúmeros passeios gratuitos, museus, parques, eventos que tinham entrada #catracalivre. Eu faço uma bolsa térmica com pãezinhos, bolachas, água de coco, frutas, bolinhos, enfim o que tiver na despensa (que anda bem magra por sinal) e saio. Ah,mas você gasta com alguma coisa. Não, coloco o carro na rua (essa preciso repensar, pois é perigoso e ás vezes sai mais caro, o tanto que se anda,já recebi multa por estacionar em local proibido, juro que não foi maldade, não vi placa, e olha que procurei, estava chovendo muito e estava com minha filha, mas enfim, pois é, eu preciso arrumar um jeito de sempre ter um dinheirinho para o estacionamento ou a condução, depende do lugar é mais fácil ir de transporte público, fora do horário de pico é mais tranquilo para ir.
 Aí continuo me questionando, eu sempre dou um jeito,mas a verdade é que estou de saco cheio de dar um jeito, precisamos mudar essa situação,sei que é questão de tempo, mas precisamos repensar nossas atitudes.
 Peguei todas as contas, vi que vai ser um ano de acertar tudo, não vai dar para fazer o aniversário da minha filha, queria fazer uma festinha, chamar os amigos, todos fazem festa e todos chamam,esse ano fomos no aniversário de todos. Fiz as contas, somei, diminui, juntei, fiz o orçamento de tudo que eu queria, iria fazer no salão do prédio, calculei o quanto precisava de comida, o quanto de bebida, o quanto de doce, decoração, personagens, vi quanto ia dar, peguei o orçamento, não bate,não tem como, com as contas que temos que acertar não tem como dispor desse valor para a festa, chorei uma manhã inteira sem parar, de soluçar, porque minha filha não vai ter festa de aniversário esse ano de novo.
 Ano passada também não podia, aí fiz uma festinha para bem poucos, ela mal tinha começado na escola,então não tinha intimidade, comprei bolo e brigadeiro, pizzinhas,fiz pipoca e cachorro quente, coloquei frutas, coloquei bisnaguinhas para as crianças, açai, guacamole, molho de coentro Bela Gil.desci os brinquedos dela, comprei bambolês, apitos, peões, vinho caseiro para as mulheres e cerveja para os homens, pedi para uma amiga jornalista para bater umas fotos,mas bem a vontade, para ela curtir a festa, ela selecionou, mandou imprimir e gravou as cópias num pen drive. Foi legal, mas eu trabalhei igual uma louca, não participei da festa, apareci em foto na hora dos parabéns porque não parava, não servi as comidinhas que eu queria e fiquei muito, mas muito exausta.
 Quero colocar uma comida legal, curtir o aniversário, contratar ajuda profissional e poder recepcionar os amigos e familiares meus e do meu marido.
 2 + 2 não dá cinco, então não dá festa, não dá para sair com pessoal para jantar, não dá para comprar roupa, sapato, fiquei malzona esses últimos dias porque está faltando tudo, contas estão atrasando. Pensando nisso tudo e conversando com meu marido cheguei a conclusão. Cara, é fogo, mas tem que colocar o pé no chão, tem que sofrer mais um pouco, tem que abster das coisas por mais um ano. Quando essa ficha caiu meu mundo desmoronou. Estou bem cansada das privações, dói demais não poder sair com a família,não poder escolher, já faço os passeios grátis, mas tem muita coisa que só pagando e eu quero fazer essas coisas, quero sim,não é consumismo, mas precisamos viver.
 A vida não é trabalho, louça, comida, roupa, trabalho fora, é preciso curtir, é preciso ter amizades, é preciso sair com outras mães, é preciso passear, é preciso levar as crianças passear, ver teatro, cinema. Precisamos de roupa, precisamos de sapatos,precisamos uma despensa decente, com comida, mas tudo isso custa.
 Custa e por isso estamos abrindo mão disso e isso às vezes me chateia e ultimamente está me deixando muito emburrada e chata. Preciso mudar isso. Peguei todas contas, planilhei, agendei, vi as prioridades, o que vamos pagar primeiro, vamos guardar ma porcentagem, guardar de verdade, sem recorrer a ela na urgência.
 Planos para esse ano, e não é promessa de reveillon, essas baboseiras, é plano traçado. Se quero fazer uma festa, já sei o tanto que preciso ter guardado, tenho que fazer essa reserva. A escola, se for paga antecipadamente, dá 10% de desconto, esse é outra reserva que tem que ser feita, guardar até dezembro o valor anual da escola e pagar à vista. Um ano sem se preocupar se vai ter dinheiro para pagar a mensalidade, pois ela estará paga e o valor economizado dá para comprar o material escolar e o uniforme do próximo ano. Colocar todas as contas que for possível urgente em dia. Não pode mais faltar rango em casa, isso mexe comigo profundamente, acho um absurdo não conseguir fazer um mercado decente,
 Calculo que coloco tudo em dia em 3 meses no máximo, até lá continuamos na abstinência, agora é momento de focar em pagar o que deve e não dever mais nada, colocar a planilha em dia.
 Vai ser difícil, pode ser que demore mais que imagino, mas conversando com meu marido chegamos a conclusão que o mais importante é o que já conseguimos, nossa casa, nossa filha numa boa escola, plano de saúde, nosso carro, nossa família unida, agora mais que nunca, pois foi difícil,mas agora ando sentindo que essas dificuldades nos fizeram nos unirmos mais, raciocinar mais, a ficar mais perto um do outro, precisamos dar as mãos para o barco continuar, temos que ter uma boa estratégia, seguir em frente e lutar pelo que queremos.
 A diversão vai ser a sobremesa, vai ser o prêmio, porque não temos ajuda de ninguém e estamos lutando juntos, está sendo muito difícil, mas isso está nos fortalecendo. O importante é a construção. Outro dia conversando com um padre e questionei do porque é tão difícil, casamento, construção de uma família não é comercial de margarina, criar um filho não é romance, é dureza e ele me respondeu: "Minha filha, tudo que é bonito é difícil de ser construído."

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Quando voltarei a dormir.

 Ando bebendo feito um gambá, não sei se para amenizar a dor de minha alma, se é para amortecer o cansaço eterno que sinto, se para apagar e conseguir dormir uma noite apenas.
 Hoje, como é domingo, decidi tomar uma taça de vinho no almoço e nada mais, amanhã é segunda, rotina de café da manhã, almoço, lancheira, leva filha para a escola, ballet, meu rpg, queria estar disposta, mas são duas da manhã, já é segunda e ainda não dormi. Minha filha que coloquei na cama às 21, 21:10, 21;20,21;30 dormiu, quando deu meia noite começou a tossir e não parou até agora, já limpei nariz, passei vick, dei descongestionante, tem que esperar passar.
 Parece que existe um revezamento entre ela e meu marido para ver quem não vai me deixar dormir. Ele ronca, chuta, se vira a noite toda, ela tosse desde que começou a escola, ou vai para nossa cama e me dá várias bofetadas dormindo, acordo toda dolorida,porque tenho que dormir no cantinho da cama, quando estou disposta levo ela para a cama dela,o que acarreta em seis ou sete vezes levando, berreiro sem fim,  explicações sem fim. Levantou novamente agora as duas e vinte, levei de volta para a cama, ela abriu um berreiro sem fim, dei uns gritos,ela continua chorando, não sei mais como lidar com isso, ela não me obedece e abre o berreiro toda vez que ouve um não. Sério gente, estou surtada. Ela chora tanto que chega a vomitar.
 Que vida é essa, levanta, lava, passa, cozinha, lava, cozinha,lava, limpa, limpa bunda, manda marido baixar a televisão mais de 50 vezes por dia todos os dias, final de semana é multiplicado por 10, odeio domingos, fala mais de cinquenta vezes por minuto para filho que não pode comer chocolate todo dia.
  Mãe dá, mãe pega, mãe tira, mãe quero,olha pra mim, olha pra mim, olha pra mim (20 vezes por minuto, 24 hs por dia) E vc tira, vc dá, vc pega, vc olha, vc responde aos porquês. Estou exaurida. Vejo que o tempo passa e eu continuo reclamando e o trabalho está cada dia mais intenso e eu cada vez mais cansada, tenho vontade de fugir todos os dias.
 Sei que é fase e que vai passar, mas eu queria saber em que momento foi que acreditei que isso era legal e que eu seria feliz, quando vai chegar esse dia?
 Fico pensando numa grande amiga que tenho, que mora numa comunidade, que tem um filho que nasceu com espinha bífida e vai depender dela o resto da vida. Ela faz o tratamento dele todo pela pública. Como ela consegue ter tanta força? Ela desabafa comigo,diz que não aguenta mais. Toda vez que a giripoca pia em casa e penso em fugir lembro dela com essa vida tão sofrida e eu aqui, reclamando e também não aguento, sendo que não tenho um por cento do trabalho dela.
 São duas e meia, parece que o silêncio está reinando,vamos lá, tentar dormir, vamos ver se vão deixar... Amanhã é outro dia, quer dizer, hoje.

sábado, 6 de agosto de 2016

Por falar em carro...

 Sempre fui contra ter dois carros em casa,pois acho um convite ao consumismo e acho uma ostentação, tentamos nesse ano nos virar com um carro só.
 Vida de mãe é exaustiva, leva filha no colégio, busca, vai atrás de material, livros, comida para casa, pediatra, médicos meus,tratamentos, de busão não dá. Fiquei quatro anos andando de busão com minha filha, pois eu não trabalho fora e minha filha não estava na escola, não tenho compromisso de horário para cumprir, dá para se virar sem carro. Ficava com o carro de vez em nunca e aproveitava para passear.
 Meu marido achava que era muito fácil eu andar de busão com a pequena, ele nunca sentiu na pele o que era isso. Nesse ano eu determinei, você vai trabalhar a pé, afinal de contas compramos nosso apartamentos a quatro quarteirões da empresa dele e quando fosse viajar a empresa tem uma frota de carros para isso.
 Ele não aguentou o tranco,pois é, mulheres sempre suportam mais, apesar da nossa aparente fragilidade somos mais fortes.
 Depois de muito mal humor e chiliques dele, ele decidiu me dar um carro. Falei que qualquer um, só não ia levar a menina na escola de ônibus de maneira alguma.
 Ele ficou uns dez dias cotando carros, procurando, fez isso agora nas férias de julho enquanto eu estava visitando minha família no interior de outro estado.
 Qual a conclusão, o mais barato é um carro zero quando precisa financiar. Deixa eu explicar, o carro usado quando financiado sai o preço de um zero, enquanto um zero você compra sem entrada, ou uma entrada ridícula e no financiamento o preço não sobe muito, podendo inclusive pagar duas ou três no mesmo mês e acabar de pagar bem antes.
 Exemplo: optamos pelo carro zero mais barato do mercado agora, o MOBI, ele é uma gracinha,bem carro de mãezinha mesmo, na cor branca, saiu R$35000,00, com apenas trava nas portas e os vidros dianteiros elétricos, se quiser, direção, ar, etc... sobe para R$45000,00, mas como a intenção agora é ganhar dinheiro, optamos pelo mais desnudo. A manun
 Um usado de R$10000,00 sairia mais de R$40000,00 financiado.
 Estou estranhando muito a direção, pois nosso outro carro tem direção hidráulica, alarme, câmbio automático. Estou morrendo de dor no meu ombro direito, acostumar com coisa boa é fácil, difícil é pegar o ruim de novo, hahahaha.
 Meu marido está mais calminho, vai poder viajar à serviço com o carro dele, sem depender da boa vontade da liberação dos carros, isso deixa ele irritado. Ele vai ganhar dinheiro com o carro, paga fácil o nosso novo e quem sabe me deixa menos estressada. Em dois anos ou menos damos ele de entrada num mais caprichado. Colocamos nossa vida financeira em dia e quem sabe o casamento melhore.
E uma coisa não tenham dúvida, o cheiro de carro zero compensa tudo... 

Continuação

 Continuo mal humorada e pessimista, minha conta sempre zerada, não aguento mais essa pobreza, mas serão mais uns dois anos assim até abater um bom valor do financiamento e prestação abaixar.
 Não dou conta do serviço de casa e continuo sem ajudante pois não posso bancar uma.
 Para melhorar, além da doença celíaca descobri que o que tenho é fibromialgia, que pode ter vindo em consequência dos anos a fio consumindo glúten sem saber da minha patologia, mas meu ortopedista fala que não, foi da violência e negligência que sofri na infância. Maldita infância, tive um péssimo pai, quer dizer, não tive pai e uma péssima mãe e quem se fodeu na vida adulta fui eu. Eu que desenvolvo doenças emocionais e tenho que me tratar. Acupuntura, rpg, muito exercício físico para liberar endorfina para meu cérebro e glúten nunca mais, quem sabe em uns dois anos ou três ou cinco estarei curada, ou nunca também.
 É bem complicado, a maioria das pessoas tem raiva de outras, eu tenho raiva dos meus pais, preciso superar se quiser viver uma vida plena, mas como?
 Continuo sem tempo para nada. Achei que com minha filha na escola faria milhões de coisas, mas é tão corrido... De manhã prepara café da manhã, almoço, lancheira, lição de casa, sim, com 4 anos ela já tem lição de casa, leva para a escola, faz alguma coisa à tarde. busca na escola, janta, banho, isso porque "não trabalho", como muitas pessoas gostam de falar, mulher que larga tudo para cuidar dos filhos trabalha sim e muito, só não trabalha fora, mas criança não se cria sozinha, alguém tem que cuidar,quando a mãe precisa trabalhar fora, alguém precisa ficar no lugar dela,  mamadeira, põe para dormir, acorda mais de de vezes na madrugada, pois é, não sei o que aconteceu, mas ela inventou de ir para nossa cama todas as noites... Estou tão cansada, tão nervosa e irritada, nem passiflora de 600mg está adiantando, deve ser a fibromialgia, quem sabe quando eu sarar meu humor melhore.
 A parte boa, eu adoro essa rotina de levar na escola, ver os trabalhinhos, conversar com outras mães que também largaram tudo para cuidar dos filhos, não me sinto tão et assim. Adoro as apresentações, ela fez uma de ballet em junho, chorei litros e mais litros.
 Agora tenho um carro, fiquei com o carro do meu marido durante o primeiro semestre, ele acha que está perdendo dinheiro nas viagens e não suporta depender do carro da empresa, melhor custo benefício foi me comprar um carro, por incrível que pareça, vamos ganhar com isso. Tomara que isso melhore o humor dele, que anda insuportável.
 Vivendo e aprendendo, continuo na luta, continuo achando que família é na alegria, tristeza, riqueza e pobreza.
 Beijos minha lindas!

quarta-feira, 30 de março de 2016

Nova etapa da vida.

 Minha filha começou a ir para a escola esse ano. Todo aquele tumulto de noooooossa, sua filha não vai na creche,você não trabalha, o que você faz com ela o dia todo, você está desperdiçando seu potencial parando de trabalhar para virar dona de casa e blablablablalbla simplesmente acabou. Os 4 anos esperados acabaram e ela começou na escola (Escola, não creche e nem escolinha, escola, na hora certa, na idade obrigatória por lei).
 Ela tem aula de artes, música, esportes, literatura, brincadeiras, super bem socializada, o primeiro dia de aula foi uma choradeira, minha lógico e não na frente dela, ela viu aquele monte de criança da idade dela, mesinhas e cadeiras pequerruchas, todo aquele material que comprei lá à disposição, legos, massinhas, lápis de cor, canetinhas, parquinho, quadra, só me disse: xau mãe! Bingo, o medo que ela não iria se socializar não existe. Não teve adaptação da parte, pois ela já estava com vontade de ir.
 A única adaptação que está ocorrendo gradativamente é a minha, primeira semana fiquei meio perdida, não que eu não tinha o que fazer, pois tenho muito, mas com o fato de saber como poderia encaixar essas coisas nesse horário que ela está na aula. Marquei acupuntura na primeira semana, fui verificar aulas de yoga, tênis, pilates e ver o que se encaixa no horário e no orçamento. Fiquei com acupuntura às quartas e rpg às segundas, já que o plano cobre, tênis e pilates vai ter que esperar.
 Me perguntaram quando vou voltar a trabalhar, bom, se alguém conseguir me arrumar um trabalho que eu possa trabalhar 3 horas por dia e ser bem remunerada agradeço. Ela estuda da uma às cinco e meia, levo e busco, "Ah, manda de Topic, certo, quem vai esperar a Topic na ida e volta?
 Enfim, pensei que teria todo o tempo do mundo, tempo e dinheiro, para fazer tudo que não fiz esses 4 anos. O dinheiro continua curto e agora mais do que nunca tenho que controlar bem, pois todo dia é um livro,um jogo, uma atividade da escola, gasolina ida e volta, lanchinhos, almoço de quando já estamos na rua e vamos direto para a escola.
 Fora a exaustão, por mais que canse ficar com uma criança dentro de casa, a rotina de horários é mais cansativa, o começo foi terrível, fazer ela entender que tem que comer naquele horário senão somente às 3 da tarde no lanche, que tem que se trocar que temos que sair, aguentar ela berrando durante dois meses todos os dias na volta, fazê-la compreender que é cansaço por ter passado na escola e tirar paciência de onde não tenho para não berrar junto acabou com minhas forças.
 Está sendo ótimo tirar um tempo só meu,cuidar da minha saúde que não andava boa, tratar minha coluna que está em pandarecos, tenho que cuidar, pois já sinto tanta dor com 37 anos, imagina quando chegar aos 60,não quero chegar lá no fundo de uma cama.
 Achei que faria muito mais coisas, mas o tempo é curto e passa rápido, estou em adaptação, esse semestre está servindo para me mostrar como será minha rotina pelos próximos 15 anos, estou sentindo como será.
 Continuo com planos de cursos em moda, quem sabe estudar direito, voltar a trabalhar, mas tudo na sua hora, agora quero ser mãe e cuidar da minha família, criança não se cria sozinha, alguém tem que cuidar até ela poder se virar sozinha e prefiro que seja eu.
 Tive que abrir mão de tanta coisa nesses 4 anos, por ela, pelo apartamento, que cheguei a me sentir culpada pelo fato de poder ter um tempo agora para cuidar da minha saúde, pode isso? Me acostumei tanto com a angústia, com a privação do básico da vida, me acostumei tanto a andar de ônibus durante esse tempo que cheguei a me questionar se eu merecia que agora tenho um carro para levar minha filha para a aula. Decidimos que eu fico com o carro, meu marido vai trabalhar a pé, já que compramos o apartamento a dois quarteirões de distância do trabalho dele para ele ficar perto do trabalho e quando ele precisa viajar a empresa tem a frota para os funcionários viajarem. Assim não precisamos gastar agora para comprar outro carro, ele vai comprar outro para ele quando pudermos.
 Eu estava com a cabeça cheia, meio zonza, esperei tanto por isso,parecia que ia demorar tanto e está aí, acontecendo, tomando conta, ela finalmente vai à escola e eu tenho um tempinho meu, só meu, isso é fantástico, pensei que ia pirar, explodir, estava mau, exausta, no fundo do poço, sou um ser humano e tenho minhas necessidades, não é porque virei mãe que virei um ser que abdica da vida. É humanamente impossível.
 Eu sobrevivi aos 4 anos e digo que foi a melhor coisa que fiz na minha vida, apesar de difícil, de cansativo, de exaustivo, foi a melhor decisão, ficar com ela durante esse tempo, passeando, conhecendo a cidade, aproveitando a piscina no calor, almoçando com minhas amigas. Agora é rotina de segunda a sexta, acorda, café, prepara mochila, lancheira, almoço, leva para a aula, faço duas ou três coisas, já busco, jantar, banho, dorme que amanhã é outro dia...